quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pela Desmilitarização das Vidas / Texto das Mães de Maio

O texto abaixo é sobre a morte da família dos PMs e foi publicado pela páginas das Mães de Maio no facebook e achei muito bom para reflexão, não apenas sobre essa lamentável tragédia, mas sobre todas as demais, muitas das quais nem tomamos conhecimento.
Há muita coisa pra dizer, mas acho que o grupo que escreveu esse texto soube mostrar sensibilidade e bom senso ao tratar do assunto.

Eu tinha pensado em tudo isso que eles escreveram quando, hipocritamente, na minha opinião, determinado jornalista quis culpar um jogo considerado violento (digo considerado porque não o conheço, então não sei se realmente é) pelo que supostamente teria sido o comportamento do garoto.

Eu pensei: O cara quer culpar um jogo? É sério? Será que ele não enxerga ao redor? Vivemos numa sociedade extremamente violenta. Tão violenta que acha que a solução para acabar com a violência é MAIS VIOLÊNCIA. Tão violenta que vemos diariamente diversos tipos de violência com a maior das banalidades (a própria suposição de que o menino teria matado a família foi tratada aqui por páginas e amigos do face com uma banalização lamentável e detestável). Tão violenta e com a banalização dessa violência tão bem afirmada que até nossas diversões são violentas (sim, eu também já joguei jogos violentos - acho que não tanto quanto os atuais - e já brinquei de polícia quando pequena, com arma de brinquedo e tudo). Tão violenta que qualquer coisa é motivo para o ódio, brigas, contentas. GUERRAS das mais diversas formas.

As pessoas têm perguntado muitas coisas com relação a essa tragédia, mas acho que faltou perguntar: por que tanta violência?

Repito algo que ouvi um dia e no que acredito cada vez mais: "Não há caminho para a paz. A paz é o caminho."‪#‎PelaDesmilitarizaçãoDasVidas‬

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PRECISAMOS DESMILITARIZAR URGENTEMENTE A VIDA PRESENTE, E O FUTURO NO BRASIL!

Nota de Pesar e Profunda Reflexão das Mães de Maio frente aos recentes acontecimentos em São Paulo:

INDEPENDENTE DO RESPONSÁVEL E MOTIVAÇÕES DESSES ASSASSINATOS, NOS SOLIDARIZAMOS C/ A FAMÍLIA E AMIG@S DAS VÍTIMAS!

Conforme escrevemos desde ontem: Mãe é Mãe; Família é Família; Ser Humano é Ser Humano em Qualquer Lugar, Entendeu?!

Nossos Sentimentos e Solidariedade a Tod@s Familiares e Amig@s da família dos policiais militares assassinados na última madrugada no bairro da Brasilândia, periferia norte de São Paulo! Força e Paz!

Independente de quem tenha sido o responsável pelas mortes violentíssimas, e quais tenham sido suas reais motivações, quaisquer que tenham sido, elas deveriam chamar atenção de TOD@S NÓS BRASILEIR@S para a sociedade doente que produz tais chacinas. Tenham sido elas motivações pessoais de uma criança criada em ambiente militarizado, somente se muito doente psiquicamente para (em suposição) ter feito isso contra a própria família e contra si mesmo; tenham sido elas qualquer tipo de vingança alheia, retaliação ou acerto de conta de terceiros, enfim, todas as alternativas são reveladoras de uma sociedade brutal e doentia, capaz de produzir tamanha barbárie como rotina.

Atualmente no Brasil, como revelou pesquisa recentíssima do IPEA, são cerca de 57.000 homicídios por ano! Isto, ainda, sem contar casos frequentes de desaparecimentos e ocultações de cadáveres (como os Amarildos nossos de todos os dias), o quê pode facilmente elevar esta cifra para próxima a 60.000 HOMICÍDIOS ANUAIS. A "matemática na prática" desta democracia de chacinas do Brasil chega, portanto, aos terríveis números de 5.000 ASSASSINATOS POR MÊS; 164 HOMICÍDIOS POR DIA no país! Números frios incapazes de traduzir toda a beleza e a potencialidade dos corpos, dos sentimentos, das trajetórias e sonhos ceifados precocemente, destruindo junto a vida de familiares e entes queridos de todas as vítimas Brasil afora, como ocorreu com muitas de nós.

A imensa maioria dessas pessoas assassinadas no país, tão seres humanos como a família de policiais militares dilacerada nesta semana, porém, continua sendo formada por pessoas Pobres, Pretas e Periféricas - muitas invisíveis para a tal opinião pública. Grande parte delas assassinadas, inclusive, por agentes violentos do estado e grupos paramilitares de extermínio ligados direta ou indiretamente à mesma polícia militar da qual fazia parte o casal de policiais assassinado esta semana. Via de regra, policiais oriundos da mesma classe social das pessoas que são oprimidas por eles mesmos, muitas vezes vizinhos dentro de suas comunidades humildes. Toda uma enorme população, da qual nós e nosso movimento faz parte, que no entanto não tem merecido a mesma atenção, o mesmo respeito e a mesma solidariedade que a família de policiais hoje recebe de várias partes, incluindo nossa parte.

Não existe pena de morte no Brasil, e o país não poderia continuar sendo dividido entre classes de humanos não-descartáveis contra os "rapazes comuns" "suspeitos por natureza", extermináveis.

Todas, sem exceção, sejam intocáveis ou massacráveis, doentes e vítimas históricas de uma sociedade dominada pelo dinheiro, pela opressão, pelas armas, e pela militarização total. O capitalismo cobrando o seu pior preço, todos os dias.

Até quando, porém, insistirão na lógica da mais-violência como resposta a cada novo caso desses? Quando vai acabar a democradura militar no Brasil?

‪#‎CadeOAmarildo‬
‪#‎QuemMatouRicardo‬
‪#‎DesmilitarizaçãoDasVidas‬
‪#‎DesmilitarizaçãoDasPolícias‬
‪#‎DesmilitarizaçãoDasPerspectivas‬
‪#‎MemóriaVerdadeJustiçaReparaçãoPAZ‬

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Esquizofrenia Blogueira

Primeiro, preciso esclarecer que tenho usado muito o termo "esquizofrenia" (ou "esquizo") ultimamente, e pode ser que daqui a alguns meses eu ache tudo isso muito tosco, como hoje acho toscas algumas coisas que pensava há alguns meses. Mas, por enquanto, continuarei usando esses termos para dizer que acho tudo muito louco, surreal, sem noção, demente... E também para ironizar um pouco a medicalização da nossa sociedade, mas isso é outra história.

Agora sobre o blog e sobre a minha esquizofrenia. Comecei minha vida de blogueira com um blog mais ou menos coxinha (gíria que tem um monte de significado, mas que para mim significa "gente que acha que manja dos assuntos, mas na verdade só tenta esconder seu desconhecimento e conservadorismo ou reacionarismo em sua arrogância ou em seu dinheiro" - só não era meu caso a parte do dinheiro). E, pois é, não tenho vergonha de dizer que já tive uma fase proto-coxinha, coisa do tipo... Não tenho vergonha porque se digo que tiVE, quer dizer que, assim como aquela fase menina fútil que adiciona todo mundo no orkut, passou. Foi uma mudança gradativa até que as linhas reaças de pensamento desaparecessem do blog.

Simultaneamente, eu tinha um blog religioso. Não era sobre teologia, mas sobre sentimentos e experiências religiosas. Eu o exclui porque percebi estar jogando pérolas a porcos - não só a porcos, mas a porcos principalmente. (Ah, e acostumem-se com referências bíblicas, elas serão comuns).

Aí o outro blog, que começou reacinha, se tornou um blog de desabafos pessoais, e esses desabafos continuam aqui (porque o blog em si continua o mesmo, apesar de eu ter mudado tanto o nome, quanto o link e principalmente o assunto).

Então, após ter entrado para o curso de História - o que, obviamente, me salvou muito do coxismo - eu resolvi criar um blog chamado Pré-historiadora, onde eu postaria alguns dilemas e crises de uma pré-historiadora, ou seja, de uma historiadora em formação. Mas isso aconteceu muito pouco, porque nunca tinha tempo pra escrever muito lá e algumas reflexões eram mais pessoais, não envolviam tanto a história, então postava nesse blog aqui.

Já dá pra perceber as nuances (?) de esquizofrenia, né?!

Bom, pensei em acabar com os blogs todos, mas sinto sempre uma necessidade tão enorme de escrever. Seja para desenvolver uma reflexão, seja para organizar meu pensamento sobre um assunto (por isso talvez alguns textos estejam mal-escritos ou pareçam se contradizer com outros), seja para me manifestar sobre algo, compartilhar minha opinião, etc. Geralmente tenho feito isso por facebook, mas acho meio chato ficar escrevendo textos enormes lá - porque meus textos quase sempre são enormes. Além disso, às vezes as pessoas podem levar algumas coisas pro lado pessoal e não sou disso. Não dou indiretas. Se tiver discordado de você, vou comentar direto mesmo, porque não é pessoal. Se discordo de sua opinião, de maneira nenhuma isso quer dizer que te odeio.

Decidi continuar com blog, mas quero só um e para isso será necessário reunir todos os seres esquizos que compõem a Elisielly: a Eli, a Elis, a Zi, a Zizi, a Lis, entre outras. O que isso quer dizer, sem poesia? Que quero reunir todos os "meus aspectos" aqui, mesmo que eles pareçam incoerentes (para mim, não são). Já era hora de fazer isso.

Então é isso, aqui pretendo escrever reflexões pessoais que talvez sejam escritas de forma tão codificadas que ninguém mais entenda; reflexões gerais sobre vários temas; reflexões religiosas; algo sobre história e sobre historiadores; textos que misturam todos esses tipos de reflexões, etc... Talvez eu mude de ideia várias vezes e talvez até me envergonhe de algumas coisas um tempo depois, mas pode ser que isso signifique amadurecimento.

Por que não escrevo só pra mim? 1. Não tem graça. 2. Minha vida é escrever, já pensou não compartilhar sua vida com mais ninguém? Acho que nem sei me comunicar direito por outros meios. 3. Porque provavelmente alguém vai ler algum texto, e é possível que esse alguém comente e talvez isso seja enriquecedor.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"A fé sem obras é morta."

Não quero converter ninguém, nem tenho a intenção de pregar, estava apenas observando como nossos atos geralmente são distantes da nossa fé, da nossa ideologia, dos nossos ideais, enfim, daquilo que acreditamos. Seja o que for. Recorro a um texto religioso porque, honestamente, é com o que mais me sinto a vontade, pelo menos sobre esse assunto, e porque foi dele mesmo que lembrei um dia desses, pensando sobre a vida... Mas isso não é sobre religião, é sobre pessoas, sobre nossa forma de agir, sobre nossas contradições...


"Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vos lhe disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhe derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tiago, 2:14-18)


É interessante isso: "eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras". Para os cristãos, como eu, a fé é essencial, isso é indiscutível. Mas, infelizmente, muitas pessoas acham que crer (ou apenas dizer que crê) é suficiente. O próprio Tiago ironiza dizendo que os demônios também creem em Deus, "e estremecem". 


A questão, no meu entendimento, não é que as obras são mais fundamentais que a fé, mas que a fé TEM que se exteriorizar nas obras. Aquilo em que você acredita tem que se exteriorizar em tudo (ou quase tudo) que você faz. É aquele lance: como pregar o amor e a caridade, mas não mover um dedo contra a miséria escancarada todos os dias aos nossos olhos? Como pregar a fraternidade, mas apoiar a violência? Ou se calar perante ela? 


Tá certo que é muito difícil praticar totalmente aquilo que você prega, mas às vezes, muitas vezes, eu não vejo sequer um esforço das pessoas nessa direção. Tem muita gente que talvez nem percebe esse abismo entre as duas coisas. 


Tinha um comercial da Coca-cola que dizia que "Os bons são maioria". Isso mesmo é que assustador, porque mesmo que os bons sejam maioria, o mundo ainda é uma merda. 


Bom, não tenho a utopia de que um dia conseguiremos transformar o nosso mundo em um lugar perfeito, sem injustiça, violência, etc. Mas tenho a certeza de que podemos fazer dele um lugar um pouco melhor, se nos esforçarmos um pouquinho mais pra praticar o que pregamos.


A fé é essencial, mas sem obras ela é morta.
A ideologia é o que nos move, mas sem atitude ela é morta.
A indignação é o primeiro passo, mas sem protesto ela é morta.


Não é morta porque não existe, mas porque não gera resultado nenhum.
E, já que estou usando linguagem religiosa mesmo, a árvore que não dá frutos só serve para ser queimada; o sal que é insípido não serve mais pra nada.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Feliz 2012!!

‎"Feliz ano novo!!"

"Tudo de bom!!"

"Eu te amo!!"

"Que Deus te abençoe!!"

"Que você seja muito feliz!!"

"Você é muito especial!!"

"Nunca vou te esquecer!!"

Tudo um monte de frases feitas, clichês... Frases que algumas pessoas, realmente, muitas vezes falam só por falar. Mas nem por isso esses clichês deveriam perder o valor: desde que seja um desejo sincero, pouco me importa se é com frase feita ou com palavras bonitas e criatividade...

Então, que todos nós tenhamos um EXCELENTE 2012!! 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Permita-me amar minha insanidade...


"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." (Friedrich Nietzsche)

Aí, se você está surdo o suficiente para não ouvir a música que está aqui e ali, tocando o tempo todo, não me julgue louca por ouvi-la, cantá-la e dança-la. Mas se você me julgar assim, ao menos saberei que o que diz a música é verdade: A música é tocada para os loucos, afim de que os sábios sejam confundidos, e para os fracos, afim de que os fortes sejam enfraquecidos.


A profecia de Nietzsche se cumpre, porque já tinha sido profetizada antes.


"Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação." (I Cor., 1:21)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Só mais um na multidão...

Incrível como essa música me faz lembrar de quem eu sou... É engraçado, eu mudei tanto e essa música fala de mim e para mim desde 2001.
Guarde segredo que te quero
E conte só os seus pra mim
Faça de mim o seu brinquedo
Você é meu enredo, vem pra cá
Te quero, te espero
Não vai passar
O amor não falta estar
Você pensa em mim, eu penso em você
Eu tento dormir, você tenta esquecer
Longe do seu ninho, meu andar caminho
Deixo onde passo os meus pés no chão
Sou mais um na multidão
O mar de sol no leito do lar
Que nem um rio pode apagar
O amor é fogo e ferve queimando
Estou ferido agora e sigo te amando
Você pode acreditar
A mesma carta, o mesmo verbo
Em sonho só viver pra ti
Quem tem a chave do mistério
Não teme tanto o medo de amar
Me cego
Te enxergo
Não vai passar
O amor não tarda, está
Te quero, te espero
Não vai passar
O amor não falta estar
Você pensa em mim, eu penso em você
Eu tento dormir, você tenta esquecer
Longe do seu ninho, meu andar caminho
Deixo o óbvio faço os meus pés no chão
Sou mais um na multidão

Maybe six feet ain't so far down...

Vivi, sonhei, aí eu acordei, me olhei no espelho e perguntei: "meu Deus, quem é essa menina?" Tá, não que eu não me reconheça, apenas me assusto com algumas atitudes e pensamentos, que, na verdade, não são novos, mas que eu achava já terem sido superados.
Já passei por várias mudanças, mas todas elas tinham sido planejadas... Mudei porque quis, porque sabia que tinha que mudar e porque achava ser importante. Forcei uma mudança. Dessa vez, não. Foram mudanças que aconteceram lentamente e eu não sei se não percebi ou se fiz "vistas grossas".
Mas a questão não é ter mudado "sem perceber" e sim que eu não sei se foi bom ter mudado ou não... Essa é a minha crise atual. Estou à beira de um precipício e não sei se me jogo ou se volto correndo pra trás. O que fazer quando você se sente à beira de um precipício, morrendo de vontade de pular e saber o que tem ali mais além, mas não sabe se está usando para-quedas? 
Pular e arriscar se espatifar no chão lá em baixo? Não pular e continuar se sentindo vazio por dentro? Pular e esperar que algum anjo ou super-herói te agarre antes que você caia? Não pular e continuar apenas "contemplando" a paisagem tão linda que você está observando nesse momento, enquanto se aproxima mais do precipício? Pular e torcer pra estar usando um para-quedas? Esperar alguém te empurrar? Não pular no momento, comprar um para-quedas, colocá-lo e aí sim pular? É, sem dúvidas, isso é o mais sensato... Mas, na real, as coisas não são tão simples quanto "comprar um para-quedas"; segurança é muito mais do que isso. E, quer saber, olhando daqui parece haver tanta coisa melhor pra ser vista daqui de cima do que de lá de baixo... Por isso que amo escrever, organiza minhas idéias, mesmo eu escrevendo coisas assim tão sem nexo... Não é por falta de coerência, é só porque não consigo me abrir de verdade com nada que não sejam as músicas que eu curto e meu travesseiro.

Hold me now
I'm six feet from the edge and I'm thinking
Maybe six feet
Ain't so far down
I'm so far down


Sad eyes follow me
But I still believe there's something left for me
So please come stay with me
'Cause I still believe there's something left for you and me
(One last breath - Creed)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Maturidade

Hipocrisia dizer que aniversário significa maturidade; que o aprendizado é ligado somente aos erros cometidos; que errar é crescer. 
Se todos crescêssemos e aprendêssemos com o que fizemos de errado haveria muitos sábios por aí. 
O verdadeiro aprendizado é ligado à reflexão daquilo que se foi ou não vivido.
Aprendi que quem tem amor tem tudo; seja familiar, namorado, amigos. O amor é o que move a vida e nos faz querer sermos melhor.
Aprendi que ser tachado de bonzinho nem sempre é ruim.
Aprendi que ser CDF é ótimo. Eles são os que se dão melhor na vida.
Aprendi que ler é enriquecimento a nossa vida, de tal maneira que ninguém consegue tirar 
E que receber dinheiro por ser inteligente é a forma mais admirável de ficar rico.
Aprendi que traição e falta de lealdade são uma das maiores crueldades que se podem cometer ao coração de alguém.
Aprendi que a gente se sente muito mal quando nos julgam por certas atitudes; e quem dirá quando o fizemos a alguém.
E que olhar torto para alguém não nos faz melhor.
Aprendi que existem algumas coisas que não deveriam se guardar no coração, mas são grandes responsáveis pela nossa mutante ideologia.
Aprendi que correr atrás do que se quer é preciso sempre; ninguém o faz se não nós mesmos.
Aprendi que quem desrespeita idosos são pessoas frias.
E que os pais são as pessoas as quais a gente sonha ser igual.
Aprendi que sorrir e ser educado são a alegria do dia de alguém, sobretudo da própria realização pessoal.
Aprendi que somos eternos errantes. Estamos em incessante crescimento; e só não cresce quem tem a cabeça tão pequena a ponto de achar que o amadurecimento vem junto com os anos.


(Ana Paula Zandoná, tirado de pensador.uol.com.br)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lindo vídeo *-*

"Helena", amor e realidade

Sábado terminei de ler Helena (Machado de Assis). O resumo é que eu quase desisti de ler nas primeiras páginas, deixei o livro parado por mais de um mês; mas peguei gosto lá pela página 20 ou 30, e fiquei presa ao livro da metade para frente, tanto é que li 79 páginas sem nenhum intervalo. Mas odiei o final!! E odeio, detesto e abomino mais ainda o fato de que, apesar do tom byroniano do "morrer (literalmente) de amor" ser oposto ao realismo - tal como aprendemos nas aulas de literatura -, esse final se aproximou muito da realidade. Acontece que a vida tem dessas de não seguir convenções e vira e mexe assim como inspira autores como Machado de Assis para escrever suas histórias de amor, inspira também um certo sentimento - seja paixão, amor ou atração - em algumas pessoas e escreve essas próprias histórias da forma como lhe apraz, às vezes segue os poetas realistas e inventa um amor seco e pé no chão; às vezes segue os parnasianos e inventa um amor perfeitamente lindo, mas só na forma, enquanto o conteúdo muitas vezes se esvazia depois da segunda leitura; às vezes segue os surrealistas e inventa os amores platônicos; mas quase sempre, ela usa da mesma inspiração que dá aos poetas românticos e escreve um amor cheio de idealismos, dificuldades, tragédias, heroísmos, religiosidade, pureza e todos aqueles ornamentos do amor que com certeza você que está lendo também já sentiu ou ainda sente. Odeio mais ainda o fato de que o desfecho trágico do amor de Helena e Estácio e todas as circunstâncias, todo o sofrimento que envolveu a convivência desse casal não é algo limitado à literatura. E nem tampouco é incomum. Amores proibidos; amores que não deveriam existir; amores que morrem por causa da sociedade que os cercam ou que nascem por incentivo dela e depois custam a morrer; amores que parecem mais uma areia movediça; amores que não nasceram para dar certo; amores que não existem para a felicidade... Quem nunca teve algum desses? Tão parecidos com a ficção daqueles que vivem com a cabeça na lua e embebedados em seus amores... E tão reais e comuns, que podem ser encontrados em qualquer esquina... Entretanto, nem por isso são menos "amáveis".


Mas calma, o amor também não existe só para fazer sofrer... Sobre isso escrevo depois - hoje terminei de ler "A Viuvinha" :)